O que é um inventário florístico
Inventário florístico é o levantamento das espécies vegetais presentes em uma área de estudo. Ao contrário de um levantamento fitossociológico, que mede a estrutura da vegetação (densidade, dominância, frequência), o florístico se concentra em responder qual é a composição de espécies daquela flora, muitas vezes servindo de base para outros estudos mais aprofundados.
Escolhendo o método de amostragem
Três abordagens são comuns em campo, e a escolha depende do objetivo do estudo e do tipo de vegetação:
- Caminhamento livre (busca ativa): percorre a área coletando o máximo de espécies em floração ou frutificação, sem parcela fixa. Bom para listas florísticas amplas, menos indicado quando o objetivo exige comparação estatística entre áreas.
- Parcelas de área fixa: unidades amostrais delimitadas (comuns em 10x10m ou 20x50m para arbóreas), permitindo medir estrutura da vegetação além da composição de espécies.
- Transectos: faixas lineares percorridas registrando as espécies encontradas, úteis para cobrir gradientes ambientais de forma mais eficiente que parcelas isoladas.
Quando coletar material testemunho
Sempre que a identificação em campo não for segura, o material testemunho (a exsicata) é o que garante que a identificação pode ser conferida depois, por você ou por outro especialista. Estruturas reprodutivas (flor ou fruto) tornam a identificação muito mais confiável do que material só vegetativo, então o momento fenológico da coleta importa bastante para o sucesso da identificação posterior.
Cada coleta deveria já sair de campo com uma etiqueta provisória contendo: coletor, número de coleta, data, coordenadas, características que se perdem na prensagem (cor da flor, altura da planta, odor, hábito), e observações do habitat.
Do campo ao herbário
Depois da coleta, o fluxo padrão é: prensagem em campo (entre folhas de jornal, sob pressão), secagem (em estufa ou ao ar, dependendo da estrutura disponível), montagem em exsicata definitiva, identificação (própria ou com apoio de especialista) e tombamento em um herbário, com número de registro único. Esse número de tombo é o que conecta seu dado de campo a um espécime físico conferível para sempre.
Registrando os dados de forma reprodutível
Cada ponto de coleta do inventário florístico deveria registrar, no mínimo: coordenadas geográficas, data, coletor, método usado no ponto (parcela, transecto ou caminhamento livre) e, quando aplicável, o número de coleta vinculado à exsicata correspondente. É esse vínculo entre o registro de campo e o material testemunho físico que dá credibilidade científica ao dado, e é justamente esse vínculo que se perde com mais facilidade quando a anotação é feita em caderno solto e a exsicata em outro lugar.
Ter um único sistema onde o registro de campo, a foto e o número de coleta ficam amarrados desde o primeiro minuto evita o trabalho de reconciliar planilha com caderno semanas depois, já de volta do campo.